Fábia Oliveira

Imagem da matéria: Fama ajuda a empreender? Especialistas explicam "limite" de ser famoso
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Bruno Gagliasso e mais: segundo especialistas, a fama pode colocar um negócio no radar do público, mas está longe de garantir sucesso

Fama ajuda a empreender? Especialistas explicam "limite" de ser famoso
Fama ajuda a empreender? Especialistas explicam "limite" de ser famoso · Imagem: Source: www.metropoles.com

Fábia Oliveira

Fama ajuda a empreender? Especialistas explicam "limite" de ser famoso
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23/09/2026 14:25

Fama ajuda a empreender? Especialistas explicam "limite" de ser famoso
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A entrada de famosos em áreas empresariais diferentes daquelas que os consagraram tem se tornado cada vez mais comum. No mercado imobiliário, por exemplo, artistas e personalidades têm usado a visibilidade construída ao longo da carreira para investir, formar patrimônio e também ampliar sua atuação profissional. Mas, segundo especialistas ouvidos pela coluna Fábia Oliveira, a fama pode até colocar um negócio no radar do público, mas está longe de ser suficiente para garantir que ele dê certo.

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Um dos exemplos recentes é o ator Bruno Gagliasso, que ampliou sua atuação empresarial e passou a investir também no setor imobiliário. O artista adquiriu participação em um empreendimento em Paraíba do Sul, na região Centro-Sul Fluminense.

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Para Thiago Muniz, especialista em empreendedorismo, o principal ativo que uma personalidade leva para um novo negócio não é necessariamente o dinheiro, mas a reputação construída ao longo dos anos.

“O movimento de pessoas conhecidas empreendendo em áreas completamente diferentes daquelas que as tornaram famosas não acontece apenas porque elas têm dinheiro disponível para investir. Existe um ativo muito importante construído ao longo da carreira: reputação”.

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Bruno Gagliasso

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Bruno Gagliasso.

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Sem registros em vídeo de Honestino, Bruno Gagliasso construiu o personagem a partir de relatos de quem conviveu com o líder estudantil

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Bruno Gagliasso interpreta Honestino Guimarães no filme que retrata a trajetória do líder estudantil desaparecido em 1973

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Bruno Gagliasso contou que o TDAH e a dislexia influenciam a forma como constrói os personagens

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Segundo ele, o reconhecimento público faz com que o famoso chegue a um novo mercado já tendo algo que empreendedores desconhecidos precisam gastar bastante tempo para conquistar: atenção. “E atenção, no ambiente de negócios, tem valor. Ela pode facilitar o lançamento de uma marca, a formação de uma audiência, a abertura de portas e até a aproximação com potenciais parceiros e clientes”.

O especialista, porém, faz uma ressalva importante: chamar atenção não é o mesmo que construir um negócio sustentável. “A fama pode ajudar a colocar um negócio no radar, mas não garante produto, operação, distribuição, gestão ou recorrência de receita. Depois do primeiro impacto, o negócio precisa se sustentar por seus próprios fundamentos”, disse.

Fama x resultado

Na avaliação de Muniz, a entrada de Bruno Gagliasso no mercado imobiliário exemplifica um movimento maior de diversificação da marca pessoal. O ator já possui outros negócios e agora também investe no setor de imóveis. Para explicar como a visibilidade pode se transformar em resultado, o especialista divide o processo em três etapas.

“Eu costumo separar isso em três etapas: a reputação ajuda a chamar atenção, a proposta de valor transforma atenção em interesse e a execução transforma interesse em negócio. Se a segunda e a terceira etapas não funcionarem, a primeira perde rapidamente seu efeito”, falou.

A mesma lógica é apontada por Franz Petrucelli, mestre em administração e especialista em negócios. Para ele, o mercado imobiliário acaba sendo especialmente atrativo para pessoas de grande exposição pública por unir a possibilidade de construção de patrimônio à capacidade de comunicação em escala.

“O mercado imobiliário costuma atrair pessoas de alta visibilidade porque reúne duas dimensões que, para uma personalidade pública, podem ser especialmente relevantes: construção de patrimônio e capacidade de comunicação em escala”.

Petrucelli destaca que uma celebridade já chega ao negócio com uma audiência construída ao longo da carreira, o que pode funcionar como um ativo empresarial.

“Uma pessoa famosa normalmente já construiu algo que tem valor econômico próprio: uma audiência. Ela possui seguidores, reconhecimento público, relacionamento com fãs e, em muitos casos, uma comunidade digital construída ao longo de anos. Quando essa pessoa participa de um empreendimento imobiliário, portanto, ela não necessariamente está entrando no negócio apenas como investidora. Ela pode também atuar como canal de comunicação, posicionamento e geração de demanda”.

Mas o especialista reforça que ter milhões de seguidores não significa, automaticamente, vender milhões.

“Isso não significa que 1 milhão de seguidores se transforme automaticamente em compradores. Audiência não é sinônimo de conversão. Mas a existência de uma audiência relevante pode reduzir a distância entre o empreendimento e potenciais consumidores e aumentar a capacidade de gerar atenção, conhecimento e tráfego”, pontuou.

Quando a fama faz diferença

Outro ponto considerado importante pelos especialistas é a relação entre a imagem da personalidade, o produto e o público que ela alcança. “Ser famoso pode gerar alcance, mas a conexão da pessoa com determinado público pode gerar relevância”, explicou Petrucelli.

Segundo ele, a associação tende a fazer mais sentido quando existe coerência entre a imagem pública do famoso e o negócio em que ele decide investir.

“Uma celebridade que possui uma comunidade engajada em torno de determinados valores, temas ou causas pode ter uma relação de confiança e identificação mais forte com seus seguidores. Quando existe coerência entre a imagem pública da pessoa, o empreendimento e o público que ela alcança, a comunicação pode se tornar mais natural”.

Daniel Claudino, especialista em mercado imobiliário, lembra que a participação de celebridades no setor não é novidade e pode acontecer de diferentes maneiras, desde investimentos próprios até sociedades e parcerias.

“Não é de hoje que celebridades atuam no mercado imobiliário, e não só como incorporadoras ou construtoras. O modelo se repete de formas diferentes. Tem quem entre como sócio operacional de uma incorporadora, tem quem empreste imagem e capital para proptechs e bigtechs do setor, e tem quem simplesmente monte portfólio pessoal de imóveis como reserva de valor”.

No fim, a visibilidade pode até ser uma vantagem inicial, mas os especialistas apontam que ela precisa ser acompanhada de estratégia, produto e execução.

Thiago Muniz resume: “A grande questão não é mais se a fama ajuda a empreender, ela claramente pode ajudar na geração de atenção. A questão é o que o empreendedor consegue fazer com essa atenção depois que ela chega”.